Partidos Políticos

Os três partidos de maior expressão são o Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), o Movimento para a Democracia (MpD) e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID). Desde 1990, a política cabo-verdiana caracteriza-se por uma bipolarização entre MpD e PAICV, que se têm alternando no poder.

 

PAIGC e PAICV

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, também conhecido pela sigla PAIGC, é a força política mais antiga no arquipélago, embora após a cisão em 1980, se designe em Cabo Verde, por Partido Africano para a Independência de Cabo Verde-PAICV. De inspiração marxista-leninista, foi criado a 19 de Setembro de 1959, por Amílcar Cabral e outros cinco patriotas guineenses e cabo-verdianos, entre os quais se encontram Aristides Pereira e Luís Cabral, com o objectivo de libertar os dois territórios do regime colonial português. Amílcar Cabral, um dos mais enigmáticos líderes africanos, de descendência cabo-verdiana, e filho de pais guineenses, dirige o partido até ser assassinado em Janeiro de 1973.

Entre 1961 e 1974, o PAIGC usa a luta armada e diplomática para alcançar os seus objectivos, reunindo, pouco depois da morte de Cabral, o apoio de mais de 80 países da ONU. Mas só com o 25 de Abril de 1974, em Portugal, consegue, finalmente, chegar a acordo e ver reconhecida a independência dos dois países (Guiné, a 26 de Agosto de 1974; Cabo Verde, a 5 de Julho de 1975). O sonho de união política entre os dois países cai por terra após o golpe de Estado de 1980, que depõe Luís Cabral. A cisão origina, em Cabo Verde, o PAICV.

A primeira Constituição da República de Cabo Verde, de 1980, reconhece o sistema de partido único. O PAICV, cujo secretário-geral é Aristides Pereira, é declarado o único partido político do arquipélago e mantém-se no poder, durante 15 anos, até à realização das primeiras eleições livres. Nas legislativas de 13 de Janeiro de 1991, as primeiras livres e democráticas, o PAICV é derrotado em toda a linha pelo MpD. Só retorna ao poder, em Janeiro de 2001, sob a liderança de José Maria Neves, actual primeiro-ministro de Cabo Verde.

 

MpD

O Movimento para a Democracia (MpD) é um partido liberal centrista, criado a 14 de Março de 1990. Carlos Veiga foi um dos seus fundadores e é o actual presidente do partido.

Depois da Assembleia Nacional rever a Constituição e instituir o pluralismo partidário, em 1990, o MpD é reconhecido oficialmente como partido. Carlos Veiga, advogado, e António Mascarenhas Monteiro, na altura juiz do Supremo Tribunal, são algumas das primeiras figuras a identificar-se com esta força política.

Com apenas um ano de existência, a 13 de Janeiro de 1991, o MpD conquista a sua primeira vitória eleitoral, nas primeiras eleições multipartidárias do país. Carlos Veiga é nomeado primeiro-ministro e governa até 2000, sendo substituído, um ano antes de terminar a legislatura, por Gualberto do Rosário. Em Fevereiro de 91, Mascarenhas Monteiro é eleito Presidente, com o apoio do MpD.

O MpD perde o poder para o PAICV nas eleições de 2001 e torna-se a maior força da oposição. Também nesse ano, Carlos Veiga, apoiado pelo MpD concorre às presidenciais e é derrotado por Pedro Pires, por uma estreita margem de 12 votos. Em 2006, o resultado repetiu-se, desta vez com uma vantagem mais confortável para Pires.

Jorge Santos liderou o partido na corrida legislativa de 2006, perdendo para o PAICV. Carlos Veiga assume, de novo, a liderança do partido, durante a Convenção de 2009.

A nível autárquico, o MpD é a principal força política, assegurando a presidência dos dois maiores centros urbanos, Praia e Mindelo.

 

UCID

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática existe desde 1977 e começou a sua actividade em Portugal. Assume-se como um partido político de inspiração cristã, que promove e defende uma sociedade justa, equilibrada e harmoniosa, fundamentada numa democracia política, social, económica e cultural sob a égide de um Estado de Direito.

O seu líder, António Monteiro, tem sido, nos últimos sufrágios, eleito para o cargo de deputado, sendo o único representante de um pequeno partido numa Assembleia Nacional, bipolarizada pelo PAICV e MpD.

 

Outros partidos

Até 2001, apenas seis partidos, incluindo MpD e PAICV, concorreram às legislativas. Um dos pequenos partidos a fazê-lo foi o PRD (Partido da Renovação Democrática), nascido, em 2000, da ruptura com o MpD. Já, em 1994, também Eurico Monteiro, uma das figuras mais importantes do MpD, em cisão com o partido cria o PCD (Partido da Convergência Democrática). Onésimo Silveira, que tem concorrido à Câmara de São Vicente, com o apoio do PAICV, criou, em finais de 90, o PTS (Partido do Trabalho e da Solidariedade).

O PSD (Partido Social Democrático) e o PDC (Partido Democrata Cristão) foram outras forças políticas de menor expressão a surgir em Cabo Verde.
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